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“Igualdade na Diversidade”

por okvalongo, em 30.06.10

 

 


Intervenção da Deputada do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Valongo

Cândida Bessa

 

 

Ex. mº  Senhor Presidente da CMV

Ex. mº  Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Valongo

Senhoras e Senhores Vereadores

Senhoras e Senhores Deputados

Minhas senhoras e meus senhores

 

 

“Igualdade na Diversidade”

 

“Uma pessoa não nasce mulher, torna-se mulher. Não há qualquer destino biológico ou económico que determine a configuração que o ser humano toma na sociedade, é a civilização, no seu conjunto, que produz essa criatura (…) que é indicada com feminina”

Simone Beauvoir

 

As estatísticas mostram que elas são a maioria dos 10 milhões de portugueses, são também a maioria demográfica no concelho de Valongo, têm os direitos constitucionalmente consagrados, estão em maioria nas escolas secundárias e nas universidades, onde obtêm as melhores classificações, então, porque estão sub-representadas na esfera do poder administrativo e sociopolítico?

Qual a razão do hiato entre a Lei e a prática?

Julgo ser uma questão de mentalidade, pode-se mudar a Lei, mas, se não forem mudadas as práticas e as mentalidades, nada feito.

Por isso, a educação para a Paz, para a Cidadania e para a Igualdade se reveste de uma importância fundamental. É necessário um novo paradigma social onde a Diversidade se conjugue com Equidade e Inclusão.

 

Faz parte integrante da Democracia e do ideal humanitário, a inclusão da Mulher como participante activo e interveniente da cidadania e da política.

Só assim a Liberdade, a Justiça e a Igualdade de Oportunidades, farão sentido, conjugando-se nos dois géneros.

 

Na sociedade tecnocrata e consumista e, em especial, na sociedade de Valongo onde vivemos, a multiplicidade racial, religiosa, étnica e multicultural predomina cada vez mais, mas também os casos de violência sobre as mulheres, como pode ser comprovado com o aumento do número de queixas na polícia, que Valongo regista.

 

Ermesinde, Valongo, Campo, Sobrado e Alfena, são as freguesias do concelho, onde o desemprego e a pobreza castigam essencialmente o lado feminino, onde os apoios da CMV têm de ser repensados, reformulados e melhorados. Não chegam os gabinetes de apoio, algumas acções isoladas, ou a boa vontade de algumas pessoas. Valongo precisa de uma política autárquica mais rigorosa e eficaz!

Valongo precisa de uma maior mobilização social para a ajuda concreta às famílias mais desfavorecidas e às mulheres mais carenciadas.

 

Tive oportunidade em dois mil e dois, no âmbito da minha tese de Mestrado, fazer um estudo empírico em Valongo, sobre as representações sociais de qualidade de vida, pude então, constatar, que aqui no nosso concelho, são as mulheres e as crianças que mais sofrem da falta de qualidade de vida. Os indicadores que vão desde a pobreza, a falta de habitação condigna, os escassos transportes escolares, a falta de creches e jardins-de-infância, até ao desemprego que impera no feminino, resultam em múltiplas penalizações para a mulher, enquanto ser humano, ser familiar e ser social.

Uma sociedade só será grande e completa, quando incluir todos os seus membros como iguais, respeitando e valorizando a diferença, este é um dos desafios da Diversidade.

 

Permitam-me agora, dar-lhes um exemplo pessoal da perseverança e da força duma mulher. Estava eu a sair da Escola Secundária de Valongo, onde lecciono, quando me deparo com Maria, chamemos-lhe assim por respeito à privacidade. Reconheço-a como antiga colega de estudos do primeiro ano em que abriram os estudos secundários em Valongo, no curso de Formação Feminina, curso anterior ao 25 de Abril, onde as raparigas eram orientadas para serem “fadas do Lar”. Estava conjuntamente com o marido desempregada, justificava-se que o marido não a tinha deixado trabalhar fora de casa e que era muito autoritário. A sua auto-imagem e a auto-estima estavam muito em baixo.

Convenci-a depois de várias conversas, a terminar os seus estudos à noite na ESV. Actualmente trabalha em limpezas e diz-me a mim e a quem quer ouvir “todo o trabalho é digno” e agora “sinto-me mais culta, com mais competências e esperança sou um exemplo para os meus filhos”.

Dir-me-ão que é apenas um exemplo bem sucedido, mas eu digo que num mundo marcado por estereótipos e preconceitos ancestrais, esta mulher é a esperança de muitas.

 

 

 

Ex. mº  Senhor Presidente da CMV

Ex. mº  Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Valongo

Senhoras e Senhores Vereadores

Senhoras e Senhores Deputados

Minhas senhoras e meus senhores

 

 

 

É urgente que a política que se quer nobre, a sociedade que ser quer justa e o ser humano, que se pretende digno e com uma humanidade de excelência defenda os valores da Dignidade e da Diversidade, garantia da igualdade de género, raça, etnia, geração, orientação sexual e a eliminação de todas as formas de discriminação social, política e cultural.

Por isso consideramos importante, que esta Assembleia, enquanto órgão autárquico, que representa a população do nosso concelho, tenha agendado este tema, sensibilizando-nos a todos para uma problemática que a todos nos diz respeito.

 

“Não pode haver felicidade quando as coisas nas quais acreditamos são diferentes das que fazemos”

Freya Staek

 

As mulheres detêm apenas 1% da riqueza mundial, e ganham 10% das receitas mundiais,... As estatísticas mostram assim o desnível entre a produtividade e a posse da riqueza. Também no que concerne à escolarização, à formação e ao emprego, acentua-se a discrepância entre os países ricos e os países pobre entre o norte e o sul da Europa, entre urbano e o rural, o litoral e o interior português.

A célebre frase que afirma que “quando se educa um homem educa-se uma pessoa e quando se educa uma mulher educa-se uma família.”, acentua bem a responsabilidade familiar e social que a mulher têm carregado aos ombros ao longo de séculos.

 

É bom que esta Assembleia também dedique a sua atenção a este tema.

 

 

A Deputada pelo Partido Socialista na Assembleia Municipal de Valongo

 

Cândida Bessa

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